quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Êh saudade...

Até hoje lembro da correria, se forçar um pouco mais lembro até das vozes. A Brigada era o principal ponto de encontro daquela galera. Não lembro quantos, mas com certeza eram muitos entre meninos e meninas.

Logo cedo já tinha gente na quadra, o problema geralmente era conseguir a bola, que sempre era do perna de pau, para a infelicidade de todos os bons de bola do mundo. E já sabe né, alguém vai ter que escolher ele para ficar no time, se não, a bola vai embora. Salva às vezes que o Sargento liberava a bola porque não era dia de ensaio do pelotão ou haveria treino dos guris mais velhos.

Passávamos a tarde inteira jogando bola, inventando xingamentos, brincando de esconde-esconde (que valia para a cidade inteira), brigando, namorado e todas aquelas coisas que crianças acabam descobrindo juntas.
Parecia que o mundo era só isso. Raras foram às vezes em que não estive por lá, já que bastava atravessar o campinho no fundo do pátio que já estava com o pé na quadra.

Muitas vezes tive que sair no meio da diversão, quando a mãe gritava pela basculante, todo mundo sabia.
Em coro eles avisavam: - Nanda, tua mãe tá chamando, corre lá!
Eu já sabia que era para ir à venda da Delma, ou na padaria do Paulo Ênio, ou no mercado do seu Alcindo. E lá ia eu, atravessando o buraco da tela para chegar mais rápido e também voltar mais rápido.

Os dias passavam assim, felizes. E o tempo passou tão rápido que quase nem percebemos.

Um grande homem me ensinou que o que é bom não dura para sempre. Tivemos a certeza disso quando ele foi embora. A quadra perdeu totalmente a graça, não tinha mais time, não tinha mais pelotão mirim, ou pelo menos sobreviveu uns meses a mais, e também não tinha mais os gritos do Sgt Born. Não tinha mais apelidos: beiçolina, Xaropinho, patinha, enfim, sobrou muito pouco. A Brigada voltou a ser a Brigada Militar, não tinha mais aquela magia. E nós voltamos as nossas vidas.

Hoje quando passo pela Brigada vejo a quadra abandonada, vejo o vazio e consigo perceber que, as melhores coisas não duram para sempre, mas, podem sim permanecer.  É impossível não sentir saudade daqueles momentos, daquelas risadas, dos ensinamentos, das brigas por futebol, dos amigos, das brincadeiras e principalmente daquele que foi o responsável por unir e toda aquela criançada, (com uma paciência gigantesca) e enxergar nelas a capacidade de se tornar pessoas melhores.


Obrigada. 

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


(Carlos Drummond de Andrade)






quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Mesmo sendo eu, porque preciso parecer com os outros!

Enquanto você se esforça pra ser, um sujeito normal, e fazer tudo igual... Eu do meu lado aprendendo a ser louco, maluco total, na loucura real...

Pegando como gancho a frase de uma das mais célebres músicas do mestre Raulzito, é realmente um grande esforço ser um sujeito normal, quando tudo o que se quer, é ser é diferente.

Digo isso porque vejo todos os dias em jornais, redes sociais, noticiários e até mesmo em palestras, pessoas consideradas diferentes, fazendo de tudo para parecer igual ao artista, ao jogador, enfim, a todos aqueles que como diria Edgar Morin fazem parte do Olimpo.

Aí eu me questiono, mas, isso não deveria ser ao contrário? Se você quer se destacar, não deveria ser diferente de tudo o que já está aí?
Eis que surge uma esperança...
Mentira! Pode continuar lendo.
Aí você encontra vários grupos de pessoas “cultas e intelectuais”, mas, isso é tão indecifrável quanto às músicas do Djavan.

Com o tempo, é possível perceber que, no final das contas essas pessoas, sem generalizar, só querem ser o que elas mesmas julgam, apedrejam e todos aqueles velhos argumentos clichês.
Só lembram que existe “rolezinho” porque saiu no noticiário, e se essa for à moda, lá estão eles.

Só querem participar de projetos sociais, se rolar grana ou status. Só querem que a justiça seja feita, se puderem tirar algum benefício disso. Só participam de manifestações para colocar no currículo: “Da série”: eu participo.

Voltamos ao papo de igualdade, como ser igual ou diferente se nem conseguimos pensar sem ser influenciados.
Gostaria de saber onde fica o espaço para os malucos, porque de gente normal (diferente), eu já to cheia.


by Rafael C. Nemer 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Memórias de Herval: Fragmentos da História

O trabalho que apresento (abaixo) é resultado de muito esforço. Esforço que se fosse contabilizado ficaria mais ou menos assim: 18 meses de agonia, 60 horas de viagens, seis meses de pesquisa, 30 dias de gravação, duas câmeras, uma semana de problemas técnicos, um gravador, 11 personagens, 50 madrugadas em claro, vírus no HD, desespero para o prazo de entrega, além de cinco semanas de choradeira na edição. Assim foi a saga de criação do documentário, Memórias de Herval: Fragmentos da História.

Um trabalho que busca retratar através de seus personagens, histórias de luta, de trabalho e que tem como principal objetivo, valorizar a vida dos Hervalenses que aqui estão representando todos os moradores da pequena cidade. Dentre os 11 personagens entrevistados apenas um teve de ficar de fora, isto por conta de problemas técnicos difíceis de resolver quando sua equipe está resumida apenas a uma pessoa, você.

O fato de eu ter nascido em Herval, influenciou muito na escolha do trabalho, mas, a minha motivação principal foi a de encontrar histórias que não estão registradas em livros, ou documentos e sim histórias carregadas de sentimentos que me fizeram entender muito mais sobre a cidade. A partir delas, entender melhor o desenvolvimento social local.

Como ser humano certamente absorvi valores que não estão disponíveis em prateleiras, conheci pessoas que certamente gostaria que meus filhos e netos também conhecessem. Nunca tive a pretensão de retratar uma história fiel e sim trazer a tona muitas histórias, porque acredito que o mundo é feito pelas pessoas e certamente nenhuma delas é igual.

Ao invés de colocar tudo em um pacote de normas e regras, eu fiz um trabalho livre, que deu a mesma liberdade para os personagens que nas mais de 30 horas de gravação abriram seu coração e sua mente para me ajudar a construir apenas o primeiro de todos os trabalhos que eu gostaria de realizar.

Certamente 300 horas de gravação não caberiam em um trabalho que no máximo deveria ter 30 minutos, mas, cabem no meu HD e em breve outras histórias que não estão no documentário serão divulgadas aqui no Blog.




segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

TV aberta, o c@nal para todos!


São 23h04 do dia 27 de janeiro de 2014. Vamos aos fatos do dia (de forma tão superficial quanto no canal). Os jornais carregados de matérias superficiais, tratam de forma banal o "aniversário" de um ano de morte das vítimas da boate kiss. Uma imprudência de proporções catastróficas gerada pelo descaso ou incompetência, ou grande erro em conjunto dos órgãos públicos e cidadãos. Até agora, ninguém foi preso e talvez, nem seja.. 

Notícias sobre esporte, as mesmas de sempre, as mudanças de assunto só são percebidas pelas cores de uniformes.  O Neymar vale 284 milhões de reais. Bacana, playboy, quem não gostaria de ter uma vida que nem a dele. 

Turistas gastam menos, e economia local aponta queda nos lucros. Também pudera, as pessoas saem de seu cotidiano, buscando um pouco de lazer, e a propaganda enganosa, mostra sua face real. Falta de água, energia elétrica, infra estrutura defasada, uma lista tão grande que fugiria do tempo em que uma pessoa para para ler um texto na internet. Pensa que acabou? 

A novela de maior audiência mostra uma psicopata esfaqueando o amante enquanto o pai rejeita o filho gay em cadeia nacional. Nada mudou, os homofóbicos continuam aos montes e a solta, em uma guerra onde cada um quer provar que também é um ser humano portador de direitos. E amanhã, nós, seres virtuais teremos a noite, novos velhos assuntos para digerir.

Esse é só o começo, só o começo...

Queria começar algo, não sei bem por onde, então resolvi deixar tudo para depois. Isso porque, considero todo o começo um pouco estranho, não importa o que esteja começando, sempre sinto aquele frio, uma espécie de receio que se mistura com a euforia de começar de novo. E esse negócio de deixar para depois, estive pensando, já não cabe mais em mim. Uma confusão de ideias, devaneios e sussurros dançam em minha mente, às vezes são tantas que nem sei mais o que pensar. Então resolvi estranhamente começar mais uma vez,  mas desta vez, ao invés de dar voz há coisas que nem sei de onde vem, darei voz a minha mente cheia de sussurros devaneios e afins.